Quem controla o passado? IA generativa e as disputas pela memória coletiva na era digital
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Resumo
O presente estudo analisa como a datificação, a plataformização e a inteligência artificial generativa impactam a construção da memória coletiva na cultura digital contemporânea. A pesquisa justifica-se pela crescente influência de infraestruturas algorítmicas que, ao mediarem interações sociais, comunicacionais e subjetivas, deixam de ser meras ferramentas para se tornarem dispositivos simbólicos que modulam ativamente o que a sociedade escolhe lembrar, esquecer ou transformar em verdade histórica. A metodologia empregada é de natureza qualitativa, exploratória e interpretativa, fundamentada em uma revisão bibliográfica abrangente e na análise de relatórios técnicos e institucionais publicados entre 2024 e 2025. O trabalho articula aportes teóricos clássicos da memória social com conceitos contemporâneos dos estudos de plataformas e da inteligência artificial generativa. O principal achado revela que a inteligência artificial generativa passou por uma inflexão decisiva, migrando de usos técnicos para campos subjetivos e existenciais, como terapia, organização da vida e orientação de propósito. Esse fenômeno estabelece um novo regime de memória sintética, no qual o passado é reconstruído por correlações estatísticas, fragmentando a memória comum em narrativas personalizadas, opacas e dissociadas da vivência real. Conclui-se que a memória coletiva tornou-se uma arena de disputas mediada por algoritmos que favorecem o revisionismo histórico digital e o engajamento afetivo. Diante da normalização de conteúdos sintéticos, o estudo aponta a necessidade urgente de regular as plataformas, promover a literacia algorítmica e fortalecer as instituições tradicionais de memória, como universidades e museus, visando garantir a integridade do registro histórico e a autonomia crítica dos cidadãos.
