Dos estudos interculturais à prática da Comunicação Intercultural: uma revisão de literatura ilustrada a partir de produtos sociocomunicacionais
Conteúdo do artigo principal
Resumo
O objetivo deste trabalho é demonstrar de que maneira o conceito de Comunicação Intercultural (CIC) emergiu, a partir do conceito de interculturalidade como um campo de estudo para os processos migratórios. A justificativa dessa escolha se dá pelo enquadramento da CIC em um novo quadro epistemológico capaz de nos auxiliar na compreensão dos processos de deslocamento humano, sobretudo no nível das dinâmicas das identidades culturais envolvidas. Isso porque tem potencialidade para atuar na minimização dos impactos negativos da homogeneidade e/ou da segregação informacional dentro de processos globalizados e, quando apropriada pelas comunidades diaspóricas, dão visibilidade à mobilização cultural de seus membros. Para isso, fizemos uso de revisão de literatura do tipo “narrativa” ilustrada por meio de produtos sociocomunicacionais (escolhidos de modo aleatório entre teses acadêmicas, guias e documentos de políticas públicas, livros e produções cinematográficas), em uma abordagem qualitativa de caráter exploratório. Como principal resultado, destacamos que a CIC extrapola questões técnicas, científicas e sociais, potencializando uma transformação social com base nas interações e negociações das identidades culturais diferentes.
Detalhes do artigo
Como Citar
Referências
Asunción-Lande, N. C. (1993). La Comunicación Intercultural. In C. F. Collado & G. L. Dahnke. La
condición humana. Ciencia Social. Mc Graw Hill.
Ávila, O. C. (2022). Autoapresentação, Performatividade e Testemunho na Internet: a webdiáspora deslocada para a visibilidade do self migrante. (tese de doutorado). Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro. https://www.pos.eco.ufrj.br/site/teses_dissertacoes_interna.php?tease=23. Acesso em: 12 dez. 2023.
Bhabha, H. K. (1998). O local da cultura. UFMG.
Bourdieu, P. (1983). Questões de sociologia. Marco Zero.
Bourdieu, P. (1989). O poder simbólico. Difel.
Brignol, L. D. (2018). “Tecnicidade e identidades migrantes: contribuições de Martín-Barbero para
pesquisas sobre migrações e usos sociais das mídias”. Intexto, 43, 119-134. DOI: https://doi.org/10.19132/1807-8583201843.119-134
Canclini, N. G. (2009). Diferentes, Desiguais e Desconectados: mapas da interculturalidade. UFRJ.
Cogo, D. (2015). Comunicação e diversidade: cenários e possibilidades da Comunicação Intercultural em contextos organizacionais. In C. P. Moura e M. A. Ferrari (Orgs). Comunicação, interculturalidade e organizações: faces e dimensões da contemporaneidade. EDIPUCRS. p. 97-116.
Cogo, D. (2017). Comunicação, migrações e gênero: famílias transnacionais, ativismos e usos de TICs. 177. Intercom, 40(1), 177-193. DOI: 10.1590/1809-58442017110
Cogo, D., & Generali, S. (2023). Imigração venezuelana, fronteira e interculturalidade: uma análise das experiências de educadoras e educadores em escolas públicas de Boa Vista (Roraima). REMHU, Revista Interdisciplinar da Mobilidade Humana, 31(69), 91-108. DOI: http://dx.doi.org/10.1590/1980-85852503880006907
Durand, J.; Lussi, C. (2015). Metodologia e Teorias no Estudo das Migrações. Paco Editorial.
ElHajji, M. (2005). Comunicação Intercultural: apontamento analíticos. Contemporânea, 3(1), 52-60.
ElHajji, M. (2023a). O Intercultural Migrante: teorias & análises. Editora Fi.
ElHajji, M. (2023b). Beyond integration: The role of philia in the migration experience of language teachers in Rio de Janeiro. REMHU, Revista Interdisciplinar da Mobilidade Humana, 31(68), 149-164. DOI: http://dx.doi.org/10.1590/1980-85852503880006810
ElHajji, M., & Escudero, C. (2017). A contribuição da Comunicação para os estudos migratórios. Revista Latinoamericana de Ciencias de la Comunicación, 14(26), 1-15. Disponível em: https://revista.pubalaic.org/index.php/alaic/article/view/416. Acesso em: 8 mar. 2024.
Escudero, C. (2017). Comunidades em festa: a construção e expressão das identidades sociais e culturais do imigrante nas celebrações das origens. (tese de doutorado). Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro.
Escudero, C. (2019). A voz da mulher imigrante no debate público sobre o ‘Projeto pró-cesárea no SUS’ em São Paulo a partir da perspectiva da comunicação intercultural. Revista Eletrônica de Comunicação, Informação e Inovação em Saúde, 13(4), 736-753. DOI: https://doi.org/10.29397/reciis.v13i4.1850
Gonçalves, C. (2020). Mulheres entre culturas: afeto e interculturalidade no contexto das migrações transnacionais. (dissertação de mestrado). Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro.
Hall, S. (2003). A questão multicultural. In L. Sovik (Org.). Da diáspora: identidades e medições culturais. UFMG.
Maffesoli, M. (2005). O mistério da conjunção: ensaios sobre comunicação, corpo e sociedade. Sulina.
Maffesoli, M. (2015). Michel Maffesoli: “Não é mais o futuro que importa, e sim o presente”. Fronteiras do Pensamento. Recuperado de: https://www.fronteiras.com/leia/exibir/michel-maffesoli-nao-e-maiso-futuro-que-importa-e-sim-o-presente#:~:text=Michel%20Maffesoli%3A%20Fa%C3%A7o%20a%20hip%C3%B3tese,corresponde%20a%20uma%20ambi%C3%AAncia%20geral.
Martín-Barbero, J. (1991). De los medios a las mediaciones – Comunicación, cultura e hegemonía. Editorial Gustavo Gilli.
Nigri, D. M. (2023). As memórias de um “lugar de memória”: imagens e narrativas da Saara. (dissertação de mestrado). Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro.
Oliveira, L. D. de (2024). Influenciadoras digitais nos EUA: mediações interseccionais em usos sociais de tecnologias por migrantes brasileiras. (tese de doutorado). Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria.
Organização Internacional para Migrações [OIM] (2022). Guia de Comunicação Intercultural. OIM. https://www.gov.br/mj/pt-br/assuntos/seus-direitos/refugio/publicacoes/anexos/Guia_Comunicacao_Intercultural_0.pdf. Acesso em: 12 dez. 2023.
Paraguaçu, F. (2017). A menina que abraça o vento – a história de uma refugiada congolesa. Vooinho.
Ravanello, M. (2024). Ética e interculturalidade no tratamento midiático das migrações: da produção dos conteúdos à recepção dos migrantes. (dissertação de mestrado). Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria.
Rother, E. T. (2007). Acta Paulista de Enfermagem, 20(2), 17-18. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ape/a/z7zZ4Z4GwYV6FR7S9FHTByr/?format=pdf&lang=pt. Acesso em 30 abr. 2024.
Sayad, A. (1998). A imigração. Edusp
Secretaria Municipal de Educação de São Paulo [SME-SP]. (2023). Currículo da Cidade Povos Migrantes – Orientações Pedagógicas. Coordenadoria Pedagógica – COPED. https://acervodigital.sme.prefeitura.sp.gov.br/acervo/curriculo-da-cidade-povos-migrantes-orientacoes-pedagogicas/. Acesso em: 12 dez 2023.
Sodré, M. (2014). A ciência do comum: notas para o método comunicacional. Vozes.
Souza, C. A. N. de. (2023). Comida, comunicação e vinculação na construção de novas territorialidades. (tese de doutorado). Universidade Estadual do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro. https://www.bdtd.uerj.br:8443/handle/1/21751 Acesso em: 12 dez. 2023.
Vertovec, S. (2009). Transnationalism. Routledge.
Walsh, C. E. (2012). Interculturalidad y (de)colonialidad: Perspectivas críticas y políticas. Visão Global, 15(1-2), 61-74.
Weissmann, L. (2018). Multiculturalidade, transculturalidade, interculturalidade. Revista Construção Psicopedagógica, 26(27), 21-36. Recuperado de http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-69542018000100004.
