Secando memórias: resgate de objetos biográficos na enchente do Rio Grande do Sul (2024)
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Resumo
Este artigo investiga como as pessoas afetadas pela catástrofe meteorológica que atingiu o Rio Grande do Sul entre abril e maio de 2024 lidam com as perdas materiais de valor simbólico e afetivo provocadas pelas enchentes. A pesquisa justifica-se pela necessidade de ir além dos danos estruturais e econômicos, visibilizando o impacto emocional da tragédia. O objetivo central é compreender o papel dos objetos biográficos na reconstrução da memória, da identidade e do sentimento de pertencimento em contextos de trauma coletivo e deslocamento. Trata-se de uma pesquisa qualitativa e exploratória, baseada na análise documental de um corpus de oito reportagens veiculadas em mídias locais e nacional. Os dados foram coletados a partir de critérios de inclusão que priorizaram narrativas de perda, resgate e restauração de pertences pessoais, excluindo abordagens estritamente financeiras. A partir dessas narrativas jornalísticas, observou-se, como principal resultado, que o sofrimento relatado ultrapassa a dimensão física da destruição e alcança o campo das memórias afetivas. Fotografias, brinquedos e móveis configuram-se como extensões da história familiar. O estudo demonstra que o gesto de secar, limpar e preservar objetos danificados é também um ato comunicacional, cultural e político, pois traduz a tentativa de narrar novamente a si mesmo e à coletividade após o trauma. Concluise que as práticas de preservação das lembranças assumem papel essencial na reconstrução emocional, social e simbólica das comunidades atingidas, revelando a força da memória como elemento de continuidade, pertencimento e resistência.
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