A idealização da alteridade: reflexões sobre seus fundamentos na história ocidental
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Resumo
Assim como foram considerados 'selvagens' ou 'atrasados' os nativos das terras colonizadas pelos europeus, também foram objeto de elogios que chegaram até a idealização e que surgiram especialmente entre as elites intelectuais de origem europeia. Este último tipo de discursos e imaginários, relativamente pouco comuns e escassamente estudados, parece contrapor-se ao racismo e convida a uma valorização da diversidade cultural. Contudo, este artigo tem como objetivo propor uma análise crítica do elogio da alteridade, o qual, ao contrário do que se costuma acreditar, não é um avanço intelectual recente, mas sim um discurso baseado em antigos mitos pré-modernos. Para atingir esse objetivo, fez-se uma análise hermenêutica dos discursos de autores e coletivos reconhecidos no Ocidente, os que têm recorrido a termos conotados positivamente para descrever as culturas de povos não europeus. Nesses discursos, foram observados alguns padrões gerais, o que permitiu relacioná-los com estruturas míticas de longa duração, tais como o mito cristão do Jardim do Éden e o mito greco-latino de uma Idade do Ouro. Como uma prolongação disso, hoje pode-se considerar o Outro 'natural' e 'tradicional' como o exemplo de um ser humano admirável. No entanto, neste artigo, conclui-se que esse tipo de representações, embora hoje estimadas como politicamente corretas, estão baseadas em versões essencializadas da alteridade, as quais, em realidade, produzem ideais hegemônicos e contribuem para ocultar a complexidade da diversidade cultural.
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Como Citar
Sarrazin, J. P. (2018). A idealização da alteridade: reflexões sobre seus fundamentos na história ocidental. Anagramas Rumbos Y Sentidos De La Comunicación, 16(31), 229-246. https://doi.org/10.22395/angr.v16n31a10