Telenovela brasileira e comunicação intercultural: a representação de indígenas de 1960 a 2016
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Resumo
Este artigo apresenta a discussão dos resultados obtidos em uma pesquisa sobre a representação indígena na telenovela brasileira, de 1960 a 2016. O objetivo foi observar as representações, por meio das narrativas, arcos dramáticos e imagens, buscando captar o diálogo entre as narrativas produzidas sobre os indígenas na telenovela brasileira e os acontecimentos relevantes para as pautas indígenas no presente histórico de veiculação de cada produção.
As representações de outras culturas nas telenovelas, sejam elas estrangeiras ou regionais, estão marcadas por uma comunicação intercultural que busca mais do que aceitar as diferenças, reconhecê-las e integrá-las de forma harmônica. De fato, as representações interraciais e interétnicas estão passando por transformações muito positivas nas telenovelas, mas não parece que o mesmo acontece com as representações dos povos indígenas. O que se pode observar sobre a comunicação intercultural entre indígenas e não indígenas a partir da ficção?
Sob uma perspectiva dialógica buscamos algumas respostas. Insistindo na hipótese de que a telenovela reflete e refrata a realidade, procuramos perceber se existem padrões para construção das personagens e narrativas sobre os indígenas em seis décadas. Este artigo pretende aprofundar a discussão dos resultados obtidos à luz dos estudos sobre comunicação intercultural, a partir da articulação da perspectiva dialógica com as reflexões sobre comunicação, identidade e cultura. Concluímos que as representações de personagens e povos indígenas não se atualizaram na telenovela, ao contrário, ao serem negligenciadas, foram identificados padrões de composição que perpetuam diferenças, desigualdades, estereótipos, preconceitos e distorções sobre os povos indígenas e suas lutas.
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