Mulheres de favelas e o acesso à internet: Perspectivas de lideranças periféricas do Rio de Janeiro perspectivas de líderes periféricas de Río de Janeiro

Conteúdo do artigo principal

Renata Nascimento
Pâmela Araujo Pinto

Resumo

O artigo analisa a inclusão digital em favelas do Rio de Janeiro, Brasil, com foco no acesso à internet e o uso das tecnologias da informação e comunicação (tic). Destaca-se a complexidade dos marcadores sociais que permeiam esse contexto, dificultando a inclusão digital, especialmente para mulheres de favelas, devido a fatores como idade, localização geográfica e nível de escolaridade. O estudo propõe uma abordagem intercultural para compreender a baixa presença digital de grupos étnicos e destaca a importância da comunicação intercultural e da interseccionalidade como ferramentas para a transformação social. Utilizando a perspectiva interseccional como metodologia, adotou-se uma abordagem quantitativa, com a coleta de dados a partir formulários digitais, e qualitativa, com entrevista com lideranças femininas. A partir de uma metodologia que buscou inspiração na etnografia observamos as relações de líderes femininas negras com as tic de 10 favelas da cidade do Rio de Janeiro, através da entrevista em profundidade, de duas favelas de municípios da Baixada Fluminense, uma da Baixada Litorânea. Desses diálogos, sete entrevistas foram conduzidas fora desses territórios, por questões de segurança das pesquisadoras e das lideranças. O registro de experiências nas periferias permitiu identificar cinco categorias-chave: território, gênero, raça, idade, classe e violência. Os resultados destacam a influência da violência na questão da conexão à internet dentro das comunidades urbanas e a questão da faixa etária no uso das tic, ressaltando a necessidade de políticas públicas inclusivas e sensíveis às diversas dimensões de exclusão presentes nesses contextos urbanos periféricos.

##plugins.themes.bootstrap3.displayStats.downloads##

##plugins.themes.bootstrap3.displayStats.noStats##

Detalhes do artigo

Seção

Artigos

Biografia do Autor

Renata Nascimento, Universidade Federal de Viçosa

Pesquisadora do Programa de Extensão Rural da Universidade Federal de Viçosa, Minas Gerais, Brasil. Correio eletrônico: renascsilva1@gmail.com ORCID: https://orcid.org/0000-0002-7035-7940

Pâmela Araujo Pinto, Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz)

Professora do Programa de Pós-Graduação em Informação e Comunicação em Saúde da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Rio de Janeiro, Brasil. Correio eletrónico: pinpamela@gmail.com, ORCID: https://orcid.org/0000-0002-9699-7073

Como Citar

Nascimento, R., & Pinto, P. (2024). Mulheres de favelas e o acesso à internet: Perspectivas de lideranças periféricas do Rio de Janeiro : perspectivas de líderes periféricas de Río de Janeiro. Anagramas Rumbos Y Sentidos De La Comunicación, 23(46), 1-25. https://doi.org/10.22395/angr.v23n46a05

Referências

Agência Brasil (2023) Favela cresce demograficamente e movimenta mais de R$ 200 bilhões. Números são do Data Favela 2023 Consultado 13 de junho de 2024: https://shre.ink/DKoh

Agência ibge Notícias. (2024, 27 de fevereiro). Censo 2022: número de pessoas com 65 anos ou mais de idade cresceu 57,4 % em 12 anos. Consultado 13 de junho de 2024: https://shre.ink/DKoK

Almeida, M. (2022). Devir quilomba. Editora Elefante.

Arretche, M. (2019). A geografia digital no Brasil: um panorama das desigualdades regionais. In L. F. R. de Andrade e M. C. S. de Souza (Eds.), Desigualdades digitais no espaço urbano: Um estudo sobre o acesso e o uso da Internet na cidade de São Paulo (pp. 29-48). Comitê Gestor da Internet no Brasil.

Bernardino-Costa, J. (2014). Intersectionality and female domestic workers’ unions in Brazil. Women’s Studies International Forum, 46, 72-80. https://doi.org/10.1016/j.wsif.2014.05.001

Bispo, A. (2023). A terra dá, a terra quer. Ubu Editora/ Piseagrama.

Brum, E. (2021, 29 nov.). O que Audálio Dantas fez com Carolina Maria de Jesus? El País. (Acesso 25 de julho de 2024). https://brasil.elpais.com/cultura/2021-11-30/o-que-audalio-dantas-fezcom-carolina-maria-de-jesus.html

Carneiro, S. (2023). Dispositivo de racialidade: A construção do outro como não ser como fundamento do ser. Zahar.

Carvalho, C., e Netto, V. M. (2023). Segregation within segregation: Informal settlements beyond socially homogenous areas. Cities, 134, 52-75. https://doi.org/10.1016/j.cities.2022.103193

cetic.br. (2024, 8 de abril). Pesquisa tic Domicílios 2023. Recuperado de https://shre.ink/DKoA

Collins, P. (2022). Bem mais que ideias: a interseccionalidade como teoria social crítica. São Paulo: Boitempo.

Collins, P e Bilge S. (2020). Interseccionalidade- São Paulo : Boitempo.

Crenshaw, K. (2002). Documento para o encontro de especialistas em aspectos da discriminação racial relativos ao gênero. Revista Estudos Feministas, 10(1), 171-188. https://doi.org/10.1590/S0104-026X2002000100011

Da Costa, K., Torres, A., Estramiana, J., Luque, A., e Linhares, L. R. (abril de 2024). Racial discrimination and belief in a just world: Police violence against teenagers in Brazil. Journal of Experimental Social Psychology, 74, 317-327. https://doi.org/10.1016/j.jesp.2017.07.003

Farias, J., Vitor, T. L., Lins, P. V., & Pedroza Filho, L. E. A. (2015). Inclusão digital na terceira idade: um estudo sobre a propensão de idosos à adoção de tecnologias da informação e comunicação (tics). Revista Gestão e Tecnologia, 15(3), 164-188. https://doi.org/10.20397/2177-6652/2015.v15i3.776

Faustino, D, Lippold, W e A. Sergio. (2022). Colonialismo digital: por uma crítica hacker-fanoniana. Raízes da América.

Fleury, S., e Menezes, P. (2022). Memória como direito à cidade: Dicionário de Favelas Marielle Franco. Estudos Históricos (Rio de Janeiro), 35(76), 309-335. https://doi.org/10.1590/S2178-149420220207

García-Canclini, N. (2004). Diferentes, desiguales y desconectados: mapas de la interculturalidad. Editorial Gedisa, S.A.

Gonzalez, L. (2020). Por um feminismo afro-latino-americano. Zahar.

Glebbeek, M.-L., e Koonings, K. (2016). Between morro and asfalto: Violence, insecurity and socio-spatial segregation in Latin American cities. Habitat International, 54(1), 3–9. https://doi.org/10.1016/j.habitatint.2015.08.012

Hooks. B. (2023) Irmãs do Inhame. WMF Martins Fontes

Jesus, C. M. de (2015). Quarto de despejo. Diário de uma favelada (10a. Ed.; edição original de 1960). Attica.

Junqueira, H. A., e Botelho-Francisco, R. (2021). Raça: dimensão interseccional das vulnerabilidades digitais. Contemporânea | comunicação e cultura, 19(3), 63–78.

La Rue, F. (2011). Report of the Special Rapporteur on the Promotion and Protection of the Right to Freedom of Opinion and Expression, Frank La Rue: addendum. United Nations Digital Library. http://digitallibrary.un.org/record/706200

Lima, M., e Prates, I. (2015). Desigualdades raciais no Brasil: um desafio persistente. In M. Arretche (Ed.), Trajetória das desigualdades: como o Brasil mudou nos últimos cinquenta anos. unesp.

Moura, C. (2020). Quilombos: resistência ao escravismo (2ª ed.). Expressão Popular.

Museu comunitário da Providência (2021, 19 de março). Morro da Providência - O passado e o presente da primeira Favela da América Latina. Consultado: 13 de junho de 2024: https://museumorrodaprovidencia.blogspot.com/

Nascimento, A. (2019). O quilombismo: documentos de uma militância Pan-Africanista (3ª ed.). Perspectiva.

Nunes, N. R. A. (2015). Mulher de favela: a feminização do poder através do testemunho de quinze lideranças comunitárias do Rio de Janeiro (Tese de doutorado). Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Departamento de Serviço Social.

Nascimento, B. (2021). Uma história feita por mãos negras: Beatriz do Nascimento. Zahar

Olerj – Observatório Legislativo da Intervenção Federal na Segurança Pública do Rio de Janeiro (s. f.). Favelas cariocas. Consultado 13 de junho de 2024. https://olerj.camara.leg.br/retratosda-intervencao/favelas-cariocas

Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas - ibase. (2022). Favelas – uma condição urbana de caráter nacional. [Comunicação]. Consultado 26 de setembro de 2024. https://shre.ink/DKox

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística- IBGE (2022). Panorama do Censo 2022. Consultado 26 de setembro de 2022. https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/trabalho/22827-censodemografico-2022.html

Santos, M. (2001). Por uma outra globalização: do pensamento único à consciência universal Record.

Silva, L. e Leite, M. (2007). Violência, crime e polícia: o que os favelados dizem quando falam desses temas? Sociedade e Estado, 22(3), 545–591. https://www.scielo.br/j/se/a/bF6jffXLc7dtKTw6QZnmNrs/#

Souza, R. (2018). Cria da favela: resistência à militarização da vida. Núcleo Piratininga de Comunicação. Stevanim, L. F., e Murtinho, R. (2021). Direito à comunicação e saúde. Editora Fiocruz. https://doi.org/10.7476/978655708108

UNESCO. (2007). Operational Definition of Basic Education. UNESCO, [acesso em 26 de setembro de 2024]. http://www.unesco.org/education/framework.pdf

Warschauer, M. (2004). Technology and social inclusion: Rethinking the digital divide. mit Press.

Walsh, C., Oliveira, L. F. de, e Candau, V. M. (2018). Coloniality and decolonial pedagogy: To think of other education. Education Policy Analysis Archives, 26, 83. https://doi.org/10.14507/epaa.26.3874