A ASCENSÃO CONTEMPORÂNEA DA MÚSICA URBANA: entrechoques e confluências culturais no rap e no funk
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Resumo
O objetivo do artigo é mapear as influências culturais que, ao longo da história, foram hibridizadas na música urbana brasileira contemporânea. Para, assim, compreender as lógicas de negociação e deslocamento que forjaram sua complexidade e heterogeneidade, especialmente ligadas ao rap e ao funk. O referencial teórico mobilizado é o dos estudos culturais latino-americanos, das pesquisas de comunicação e música no Brasil, dos Africana studies e das pesquisas sobre o hip hop brasileiro. Metodologicamente, nossa análise se apoia nesse levantamento bibliográfico e em pesquisa documental sobre todo tipo de prática comunicacional ligada ao rap e ao funk no Rio de Janeiro (RJ) desde o início dos anos 1990. Utilizamos também entrevistas semiestruturadas com atores da cena contemporânea de rap do RJ. Nossos achados sugerem que, de fato, a música urbana brasileira é um fenômeno intercultural que nasce do intercâmbio entre o midiático industrial e as criatividades individual e coletiva de grupos que produzem arte no cotidiano. Por isso, ela contém elementos musicais do funk carioca (do miami bass, do volt mix e do tamborzão), do eletrofunk, das cantigas de roda, do axé music, do pagode, da chamada música brega, da estética vocal das escolas de samba, do rap de mensagem afrocêntrico, do gangsta rap, do trap, do R&B e do reggae. Além de traços da oralidade afro-islâmica, da cultura dos bailes de comunidade no Rio de Janeiro, da cultura do skate, do futebol e do basquete, da pichação, do movimento hip hop (break e grafite), do cinema norte-americano de Hollywood, da estética audiovisual da MTV e das redes sociais.
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