O óbito como entretenimento: análise das notícias em torno da morte no Instagram
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Resumo
Este estudo teve como objetivo investigar como os discursos em torno da morte, veiculados no Instagram, são estruturados e ressignificados a partir da lógica de entretenimento. A escolha do tema se justifica pela relevância da plataforma como fonte de informação e pelo papel central que desempenha na construção de percepções coletivas sobre a morte e a violência. A metodologia adotada foi analítica e bibliográfica, contemplando a observação de perfis independentes e de grandes conglomerados de mídia, fundamentada em referenciais que discutem a cultura da morte e os discursos digitais. Assim, utilizou-se Paveau para a análise das estruturas próprias dos discursos nativos digitais, Morin para a compreensão da morte hierarquizada conforme a posição social dos indivíduos e Becker para a discussão do fenômeno da morte coletiva como mecanismo de atenuação da certeza da morte individual. Os resultados indicam que as práticas discursivas transformam tragédias pessoais em produtos midiáticos de consumo rápido, banalizando a morte e reforçando as desigualdades sociais. A análise revelou também que a notoriedade social dos indivíduos determina diferentes formas de representação: celebridades recebem tratamento reverente, enquanto cidadãos comuns e periféricos são retratados de modo impessoal e sensacionalista. Conclui-se que o discurso digital não apenas reflete, mas reforça hierarquias sociais, perpetuando preconceitos e naturalizando a violência contra populações vulneráveis. Ao transformar a morte em narrativa de entretenimento, as mídias sociais ampliam a desigualdade simbólica e limitam a possibilidade de uma reflexão crítica sobre a dignidade e o valor da vida.
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Referências
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