Capitalismo de vigilância e modulação do comportamento humano: o ambiente digital como espaço favorável à manipulação do eleitor?
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Resumo
Este artigo busca compreender como os rastros digitais dos usuários do Facebook foram estrategicamente utilizados pela Cambridge Analytica para a modulação da opinião pública na eleição presidencial dos Estados Unidos em 2016. Adota como substrato teórico o capitalismo de vigilância de Shoshana Zuboff, e utiliza o método hipotético-dedutivo, fundado em revisão bibliográfica e estudo de caso, a pesquisa demonstra a influência da inteligência artificial nos processos políticos de uma sociedade hiperconectada. A investigação revela que o perfilamento psicográfico e o microdirecionamento de conteúdo possibilitaram formas sofisticadas de manipulação eleitoral, baseadas na ativação emocional e no controle do comportamento individual à revelia do eleitor. Conclui-se que a ausência de transparência e a opacidade algorítmica representam grave ameaça à autodeterminação informacional e à integridade democrática, demandando formas robustas de regulação jurídica e tecnológica.
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