Comissão Nacional da Verdade no Brasil: o fio da história e o direito à memória e à verdade

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Ramon Rebouças Nolasco de Oliveira
Rafael Lamera Giesta Cabral

Resumo

O artigo tem por objetivo problematizar os temas da memória e da Justiça de Transição a partir do contexto de instituição da Comissão Nacional da Verdade – CNV brasileira. As disputas sobre o que memorar, como recordar e o que esquecer (ou não esquecer) pode tornar-se muito complexo em tempos de polarização política. Ao problematizarmos o caso brasileiro entre 2008 e 2014, busca-se destacar como o percurso de instituição da CNV lidou com os entraves legislativos e empíricos em torno da memória, da história, do esquecimento e do ressentimento. Para que esses objetivos pudessem ser atendidos metodologicamente, a pesquisa utilizou fontes primárias (documentos legislativos e judiciais, relatórios, pareceres) e secundárias (literatura especializada sobre o tema). Com uso do método descritivo, apresentamos o contexto transicional brasileiro e o percurso da CNV para demonstrar como a tensão entre ressentimento e direito à memória e direito à verdade foram organizados pela Comissão. Embora o resultado do Relatório da CNV seja relevante, a responsabilização dos violadores de direitos humanos no Brasil é neutralizada pelo sistema de justiça. A promessa de uma política pública sobre memória permanece no esquecimento controlado pelas elites políticas.

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Seção

Artículos

Biografia do Autor

Ramon Rebouças Nolasco de Oliveira, Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA), Mossoró, Brasil

Doutor em Direito pela Universidade de Brasília (UnB - 2019). Mestre em Ciências Sociais e Humanas pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN - 2014). Especialista em Direitos Humanos (UERN - 2012). Graduado em Direito (Bacharelado - UERN - 2010). Professor Efetivo da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA), desde 2014. Docente permanente do Curso de Mestrado do Programa de Pós-Graduação em Direito da UFERSA (PPGD/UFERSA). Coordenador do Projeto de Extensão "Direitos Humanos na Prática" (DH na Prática) e do "Núcleo de Práticas Jurídicas da UFERSA" (NPJ/UFERSA). Advogado (OAB/RN n.º 9.153).

Rafael Lamera Giesta Cabral, Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA), Mossoró, Brasil

Doutor em Direito, Estado e Constituição pela Universidade de Brasília - UnB (2016). Mestre em Ciência Política pela Universidade Federal de São Carlos - UFSCar (2010) e Bacharel em Direito pela Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul - UEMS (2007). Atualmente, é professor adjunto no curso de Direito, no Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Direito (Mestrado Acadêmico) e no Programa de Pós-Graduação em Administração Pública (PROFIAP Mestrado Profissional) da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA). É Sócio Titular do Instituto Brasileiro de História do Direito - IBHD. É Editor-chefe da Revista Jurídica da Universidade Federal Rural do Semi-árido - REJUR.

Como Citar

Oliveira, R. R. N. de ., & Cabral, R. L. G. (2021). Comissão Nacional da Verdade no Brasil: o fio da história e o direito à memória e à verdade. Opinión Jurídica, 20(43), 113-140. https://doi.org/10.22395/ojum.v20n43a4

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