Jules Michelet e A feiticeira: entre a neblina do visível e a corporeidade do prazer da escrita
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Resumo
Este artigo apresenta algumas reflexões sobre o livro A feiticeira, publicado por Jules Michelet, em 1862, que põe em tensão o vínculo entre corpo, bruxaria, transgressão e sacrifício na figura da feiticeira, comadre ou bruxa da Idade Média. Para isso, recorre-se a diversos estudos que têm essa obra e a feiticeira como centro de seus interesses de reflexão, estabelecendo, neste artigo,
uma poética do sacrifício que sublima o Mal como intensidade de transgressão. A feiticeira é a mulher que está parcialmente oculta com todos seus encantos, ostentando um saber curar a partir da botânica da transgressão. Assim, a feiticeira-vítima que morre na fogueira mostra o pânico e o horror que uma cultura hegemônica experimenta diante da cultura popular que se faz corpo
no sacrifício em um processo inquisitivo, já que a bruxa tem consciência das potências mágicas do conhecimento que cura ou pode matar no vínculo entre botânica e medicina.